sábado, 27 de novembro de 2010

Entrevista com Novo Som: “queremos continuar fieis à espinha dorsal da banda”

Entrevista com Novo Som: “queremos continuar fieis à espinha dorsal da banda”

Na sede da gravadora MK Publicitá, Geraldo, Alex e Mito falaram ao U.M. como foi a gravação de seu novo disco, o 1º sem Lenilton
Por Marcos Paulo Bin e Leisa Ribeiro
05/07/2004


Confira a seguir uma entrevista exclusiva com o Novo Som, realizada nos estúdios do programa "Conexão Gospel". Na conversa, Alex Gonzaga, Mito e Geraldo Abdo falam da saída de Lenilton, do desafio de gravar um disco sem seu principal compositor e da idéia de fazer um CD acústico, entre outros temas.

Com o Lenilton na banda, a maioria das músicas que o Novo Som gravava era de autoria de vocês. Agora, sem ele, isso não acontece mais. Esse fato os incomodou na gravação de Vale A Pena Sonhar?
 
Mito: Nesse CD tem músicas minhas e do Joey (Summer), nosso guitarrista. A maioria das músicas do Novo Som era realmente do Lenilton, mas desde o primeiro trabalho eu compunha e também fizemos muitas músicas em parceria. Mas é que ficou tradicional ter uma canção dele para puxar o disco. Mas também sabemos que o Espírito Santo inspira muita gente, e nós não poderíamos ficar presos a ele. Fizemos uma pesquisa de repertório e o resultado foi surpreendente. Ficaram músicas boas de fora e que podemos aproveitar em um próximo trabalho.

Quem mandou músicas para vocês?

Mito: Avisamos só aos amigos para nos mandarem músicas. O critério para escolhê-las foi nosso tempo de estrada; a música tinha que ter somente o perfil da banda.

Há quanto tempo vocês vinham se desentendendo com o Lenilton?

Alex: Temos problemas com ele há seis anos, no mínimo. Sempre conversamos, em grupo ou individualmente, e ele se negava a mudar. Nossos problemas eram litigiosos e pessoais. Mas quero que fique claro que não tivemos problemas jurídicos; ele saiu com todos os direitos acertados.

Mito: O Lenilton saiu por divergir de idéias e ideologias da banda. Éramos quatro pessoas; se uma discorda de três, fica provado quem esta errado.

Na última entrevista que o Alex deu ao UNIVERSO MUSICAL, disse que o Lenilton poderia até continuar compondo para a banda. "Friamente" falando, existe mesmo essa possibilidade?

Alex: Não temos como prometer isso, mas mágoa não ficou. Agora, nós três queremos continuar fieis à espinha dorsal da banda.

E, em termos musicais, como vocês avaliam o resultado de Vale A Pena Sonhar?

Mito: Musicalmente nosso CD está bem melhor do que os últimos. E um dos motivos a que eu atribuo isso é a entrada do novo baixista. O Lenilton era um ótimo compositor e um baixista razoável. O nosso baixista de hoje, Charles Martins, é diretor musical. O Lenilton era baixista do Novo Som, e não baixista profissional. O músico que mais rápido se adaptou ao som da banda foi o Charles, sem dúvida. Por causa disso nós pudemos ousar mais nos arranjos e mostrar mais versatilidade.

Foi um desafio para vocês gravar um disco sem o Lenilton?

Mito: Não foi um desafio gravar sem o Lenilton porque conhecemos nosso som há mais de 20 anos. Já estamos descolados e sabemos o que queremos. Perdemos letras e composições boas, mas já tínhamos um padrão e vamos continuar trabalhando normalmente. Vamos fazer o que sabemos sem deixar a peteca cair, e isso está visível e audível nesse trabalho.

Neste CD vocês estão mais baladeiros do que de costume. O rock, que estava bem presente nos discos anteriores, foi deixado um pouco de lado. Algum motivo para isso?

Alex: O Novo Som sempre foi baladeiro. De uma época para cá, começamos a experimentar o rock por causa da vertente do mercado. Não fazemos um rock superpesado, e sim o rock dos anos 80. Todos nós curtimos um rock pré-Nirvana; depois ele veio e influenciou o rock mundial, mas nós não gostamos muito. Mas do Bon Jovi para trás a gente gosta de tudo. Na essência a banda é baladeira.

Vocês também estão mais românticos...

Mito: Sim, uma das novidades deste CD é que há duas músicas românticas. Essa idéia surgiu em 92; fomos os pioneiros em falar de amor. Deus é amor, por isso é importante falar de relacionamentos entre homem e mulher. Isso é ousar, e a repercussão é positiva.

O Novo Som é uma banda de shows, o que não é muito comum no meio gospel, onde é tradicional se apresentar mais em igrejas. Vocês não acham que outros artistas deveriam fazer o mesmo? Por que vocês não fazem muitos shows em casas do Rio?

Geraldo: É difícil tocar em casa de show no Rio, uma cidade que tem muitas igrejas com estruturas que comportam as bandas. Mas no resto do país a gente vai a casas de shows; as igrejas são menores ou não têm tanto estrutura quanto as das capitais. Acho que os cantores vão às igrejas porque isso também aquece o mercado. E o povo gosta porque o custo é menor ou às vezes nulo. Tenho certeza de que se o cantor secular tivesse igreja para tocar também tocaria.

Vocês estavam pensando em gravar um disco ao vivo. Por que adiaram o projeto?

Mito: Queríamos juntar mais material. Acho que agora já temos, mas pensamos em gravar um disco acústico; já fizemos dois ao vivo, iria ficar repetitivo. Ele deve sair depois deste trabalho.

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